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Quanto rende a poupança vs CDB vs Tesouro Selic em 2026

Poupança rende quanto vs CDB e Tesouro Selic em 2026: a conta líquida real, por que a poupança fica travada e quando a isenção não compensa. Por Rodrigo Longue, RT CVM.

Quanto rende a poupança vs CDB vs Tesouro Selic em 2026

Resumo executivo

  • Resposta direta: com a Selic alta, a poupança rende bem menos que CDB e Tesouro Selic, mesmo com a isenção de imposto.
  • Por que (a regra): acima de 8,5% de Selic, a poupança trava em 0,5% ao mês + TR (Lei 12.703/2012).
  • Cifra-âncora: R$ 1.000 em 12 meses rende ~R$ 81 na poupança contra ~R$ 119 no Tesouro Selic já líquido (B3, Selic 14,50%).
  • Diferença prática: o CDB e o Tesouro pagam IR e ainda rendem mais; a isenção da poupança não cobre a diferença.
  • Regra de decisão: com juro alto, um pós-fixado de liquidez diária supera a poupança; onde deixar a reserva está no comparativo de produtos.

"Poupança rende quanto, comparada ao CDB e ao Tesouro Selic" é uma das primeiras perguntas de quem começa a investir, e quase toda resposta erra por um de dois motivos: ou compara o rendimento bruto da poupança com o bruto do CDB, esquecendo que o CDB paga imposto, ou compara só o número de hoje, sem explicar por que a poupança fica para trás justamente quando os juros sobem. A resposta honesta junta as duas coisas. Com a Selic em 14,50% ao ano (Copom de abril de 2026), R$ 1.000 aplicados por um ano rendem cerca de R$ 81 na poupança e cerca de R$ 119 no Tesouro Selic já descontado o Imposto de Renda, segundo o levantamento da B3 (Bora Investir). Os valores deste post são ilustrativos e datados, não promessa de retorno.

A diferença vem de uma regra que a maioria desconhece: o quanto a poupança rende é fixado por lei, e essa fórmula a deixa travada quando a Selic está alta. Este post explica essa regra, mostra a conta líquida lado a lado e responde à dúvida que confunde quase todo iniciante, a de achar que a isenção de imposto da poupança compensa o rendimento menor.

Aqui o recorte é estrito: poupança contra os pós-fixados mais simples que existem. Quanto guardar de reserva e em qual produto exato deixá-la é outra conversa, que fica em onde deixar a reserva de emergência. E se a sua dúvida é quanto rende um valor específico já guardado, a conta para R$ 100 mil está em quanto rende R$ 100 mil investido.

Poupança rende quanto, comparada ao CDB e ao Tesouro Selic?

Menos, e a distância aumenta quanto mais alta está a Selic. Com a taxa básica em 14,50% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, algo perto de 6,2% a 6,5% no ano, enquanto o CDB de banco grande e o Tesouro Selic acompanham o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a taxa de referência da renda fixa brasileira, que roda bem próxima da Selic), na casa dos 14% brutos. Mesmo depois de descontar o imposto dos pós-fixados, eles rendem mais.

A conta da B3 deixa isso concreto. Para R$ 1.000 aplicados ao longo de 12 meses, com a Selic a 14,50%, o rendimento líquido (já descontado o Imposto de Renda onde ele existe) fica assim: poupança R$ 81, CDB a 100% do CDI R$ 118,80, Tesouro Selic R$ 119,63. A poupança rende cerca de dois terços do que um pós-fixado simples entrega no mesmo período, sem que você corra mais risco por isso.

Com a Selic em 14,50% ao ano, a poupança rende muito menos que o CDB e o Tesouro Selic, mesmo sendo isenta de Imposto de Renda. Segundo o levantamento da B3, R$ 1.000 aplicados por 12 meses rendem cerca de R$ 81 na poupança, R$ 118,80 num CDB a 100% do CDI e R$ 119,63 no Tesouro Selic, esses dois últimos já líquidos do imposto. A razão é a regra de cálculo da poupança, fixada em lei: quando a Selic passa de 8,5% ao ano, a caderneta paga 0,5% ao mês e para de subir junto com a taxa básica. O CDB e o Tesouro, por serem pós-fixados, acompanham a alta dos juros. Por isso, em cenário de Selic alta, a isenção de imposto da poupança não cobre a diferença de rendimento. Valores ilustrativos e datados; rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Em ano de juro alto, a poupança fica para trás porque o desenho dela impede que acompanhe a Selic. Não é banco ruim nem aplicação escondida, é a própria fórmula da caderneta.

Por que a poupança rende menos quando a Selic sobe?

Poupanca cdb tesouro

Por causa de uma regra de cálculo fixada por lei. Desde 2012, a poupança tem duas fórmulas, e qual delas vale depende da Selic. Quando a taxa básica está acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial, índice que corrige a poupança e o FGTS; ficou zerada por longos períodos desde 2017 e voltou a oscilar em valores baixos). Quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5%, o rendimento cai para 70% da Selic mais a TR. Essa regra está na Lei 12.703/2012, que alterou a fórmula antiga da caderneta.

O detalhe que muda tudo é o teto embutido na primeira fórmula. Acima de 8,5% de Selic, a poupança trava em 0,5% ao mês, não importa se a taxa está em 9% ou em 15%. Os 0,5% mensais equivalem a cerca de 6,17% ao ano, e é só isso que a parcela fixa entrega, com a TR somando uma fração pequena por cima. Enquanto isso, um pós-fixado acompanha a Selic inteira.

A poupança rende 0,5% ao mês mais a TR sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano, conforme a Lei 12.703/2012. Esse 0,5% mensal funciona como um teto: a partir de 8,5% de Selic, a caderneta para de acompanhar a alta dos juros e fica fixa, enquanto o CDB e o Tesouro Selic continuam subindo junto com a taxa básica. Em 2026, com a Selic em 14,50%, a poupança rende perto de 6,2% ao ano enquanto um pós-fixado a 100% do CDI rende algo na casa de 14% bruto. Há ainda o funcionamento operacional: o rendimento da poupança é creditado uma vez por mês, na data de aniversário do depósito, segundo o Banco Central. Quem saca antes do aniversário perde o rendimento daquele mês inteiro, ponto que não existe no Tesouro Selic, onde o rendimento é diário.

A consequência prática aparece no extrato de quem deixou dinheiro parado na caderneta durante o ciclo de alta. A poupança continuou rendendo os mesmos 0,5% ao mês enquanto a Selic dobrou, e o pós-fixado ao lado rendeu quase o dobro no mesmo intervalo.

A poupança perde dinheiro? O que realmente acontece

Aqui vale desfazer um exagero comum. A poupança não "perde dinheiro" no sentido de devolver menos do que você colocou. Em 2025, ela rendeu 8,19% no ano contra uma inflação de 4,26% medida pelo IPCA, um ganho real de 3,77%, o maior em 19 anos, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta reportado pela B3. Foi o quarto ano seguido em que a caderneta superou a inflação. Em termos de poder de compra, quem ficou na poupança ganhou.

O problema não é perder para a inflação, é o custo de oportunidade (o quanto você deixa de ganhar ao escolher uma aplicação em vez de outra de risco parecido; deixar dinheiro na poupança custa o rendimento extra que um pós-fixado de mesma segurança teria entregue). No mesmo 2025, o CDI rendeu 9,65% de ganho real, cerca do dobro do ganho da poupança. Você não perde dinheiro na caderneta, mas deixa metade do ganho possível na mesa, e essa metade some sem aparecer no extrato, porque o extrato só mostra o que entrou, nunca o que poderia ter entrado.

A poupança não perde dinheiro: em 2025 rendeu 8,19% nominal contra inflação de 4,26% (IPCA), um ganho real de 3,77%, o maior em 19 anos, segundo a consultoria Elos Ayta reportada pela B3. O que ela perde é em comparação: no mesmo ano, o CDI entregou 9,65% de ganho real, perto do dobro. O custo de ficar na poupança, então, não é nominal, é de oportunidade. Não é que o dinheiro encolha, é que ele cresce mais devagar do que cresceria num pós-fixado de risco e liquidez parecidos. Em valores pequenos, a diferença parece miúda; em valores maiores e ao longo de anos, ela vira uma quantia relevante de rendimento abrindo mão sem necessidade. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Esse é o ponto que costuma cair tarde: o erro da poupança não é arriscado, é silencioso. Quem fica nela não vê prejuízo, vê um número subindo devagar, e por isso a comparação com as alternativas raramente é feita.

Como funciona o imposto no CDB e no Tesouro Selic

O CDB e o Tesouro Selic pagam Imposto de Renda, a poupança não. Mas o imposto dos pós-fixados é menor do que muita gente imagina, e cai com o tempo. Ele segue a tabela regressiva (a alíquota de IR diminui conforme o prazo da aplicação: 22,5% até 180 dias, 20% até 360, 17,5% até 720 e 15% acima de 720 dias), estabelecida pela Lei 11.033/2004. Quem deixa o dinheiro mais de dois anos paga só 15% sobre o rendimento, não sobre o valor aplicado.

E aqui está a confusão que faz muita gente escolher errado: o imposto incide só sobre o que rendeu, não sobre o que você investiu. Num CDB que rendeu R$ 140 em um ano, o IR de 17,5% leva cerca de R$ 25, sobrando R$ 115 líquidos, ainda acima dos R$ 81 da poupança no mesmo período. A isenção da caderneta soa como vantagem, mas é isenção sobre um rendimento que já nasce menor.

No CDB e no Tesouro Selic, o Imposto de Renda incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado, e segue a tabela regressiva da Lei 11.033/2004: 22,5% para resgates em até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias. Existe ainda uma taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano no Tesouro Direto, isenta até R$ 10 mil aplicados (Tesouro Direto). Mesmo somando imposto e custódia, o líquido de um pós-fixado a 100% do CDI supera a poupança quando a Selic está alta, porque o ponto de partida bruto é mais que o dobro. Chegou a existir, em 2025, uma proposta de alíquota única perto de 17,5% para a renda fixa, parte da MP 1.303/2025, que acabaria com a tabela regressiva; essa medida caducou em outubro de 2025 e não foi reintroduzida. Em 2026, a regressiva continua valendo.

Para quem está começando, fica o aviso: não fuja do CDB ou do Tesouro só porque "tem imposto". O imposto é descontado de um rendimento maior, e o que sobra ainda costuma superar a poupança com folga em cenário de juro alto.

Tabela: poupança vs CDB vs Tesouro Selic (R$ 1.000 em 12 meses)

Quando a poupanca faz sentido

A comparação fica mais clara num único quadro. A tabela usa a mesma premissa para todos: Selic a 14,50% ao ano (Copom de abril de 2026), R$ 1.000 aplicados por 12 meses, com Imposto de Renda já descontado onde ele incide. Os números vêm do levantamento da B3 e são aproximações ilustrativas, para dar a ordem de grandeza.

Onde (R$ 1.000, 12 meses) Paga IR? Risco / garantia Rendimento líquido
Poupança Não (isenta) FGC até R$ 250 mil ~R$ 81
CDB a 100% do CDI Sim, regressivo FGC até R$ 250 mil ~R$ 118,80
Tesouro Selic Sim, regressivo Risco soberano (Tesouro) ~R$ 119,63
LCI/LCA (isenta) Não (isenta) FGC até R$ 250 mil ~R$ 129,60

Dois pontos saltam da tabela. O primeiro: a poupança, isenta de imposto, rende menos que o CDB e o Tesouro, que pagam imposto, com diferença de quase 50% no líquido final. O segundo: a renda fixa isenta de IR, como a LCI / LCA (Letra de Crédito Imobiliário ou do Agronegócio, renda fixa isenta de IR para pessoa física, lastreada em crédito desses setores), rende mais que todos, porque junta um rendimento parecido com o do CDB à isenção de imposto. A contrapartida da LCI e da LCA é a liquidez, que detalhamos adiante.

A garantia também difere. CDB, LCI, LCA e a própria poupança são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos, entidade que ressarce o investidor até R$ 250 mil por CPF por instituição se o banco quebrar), conforme o FGC. O Tesouro Selic não entra no FGC, mas é considerado o ativo de menor risco do país por ser garantido pelo Tesouro Nacional, o chamado risco soberano. Para a maioria dos iniciantes, os dois níveis de garantia são adequados.

A isenção de IR compensa o rendimento menor da poupança?

Não compensa, quando a Selic está alta. Essa é a confusão que faz muita gente preferir a poupança: a ideia de que ser isenta de imposto a deixa melhor que o CDB tributado. Mas comparar bruto da poupança com bruto do CDB ignora que o CDB parte de um rendimento mais que o dobro, e mesmo perdendo 15% a 22,5% para o imposto, o que sobra ainda é maior.

A comparação correta é sempre líquida contra líquida. Na conta da B3, R$ 1.000 em 12 meses rendem R$ 81 na poupança (isenta) e R$ 118,80 no CDB (já descontado o IR). A isenção da poupança seria vantagem se os rendimentos brutos fossem parecidos, mas não são. Em ano de juro baixo, com a Selic abaixo de 8,5%, a fórmula da poupança muda para 70% da Selic, a distância diminui e a comparação fica mais disputada. Em 2026, com a Selic em 14,50%, não há dúvida: o líquido do pós-fixado ganha.

A renda fixa isenta resolve a questão de outro jeito. LCI, LCA, CRI e CRA juntam o melhor dos dois mundos, rendimento de pós-fixado sem imposto, e por isso aparecem no topo da tabela. O preço é a liquidez: costumam ter carência e nem sempre deixam resgatar antes do vencimento, ao contrário de um CDB de liquidez diária ou do Tesouro Selic, que você resgata quando quiser. Para dinheiro que pode ficar parado um tempo, render mais sem imposto faz sentido; para dinheiro de emergência, a liquidez vem antes, ponto que tratamos em LCI e LCA: o prazo mínimo mudou em 2026.

Quando a poupança ainda faz sentido

Consultoria renda fixa basica

Em alguns casos, sim, e vale dizer com honestidade. A poupança tem três vantagens reais que o número de rendimento não captura: é simples de entender, tem liquidez imediata sem prazo de carência, e é isenta de imposto e de qualquer taxa. Para quem está dando o primeiro passo e ainda não abriu conta em corretora, ela funciona como um ponto de partida sem fricção, melhor do que deixar o dinheiro na conta corrente rendendo zero.

O ponto é não ficar nela por inércia. Migrar para um pós-fixado simples não exige virar investidor sofisticado: um CDB de liquidez diária de banco grande ou o Tesouro Selic são quase tão simples quanto a poupança, têm liquidez parecida e rendem mais. Como dar esse primeiro passo, do zero, está em como investir com pouco dinheiro. Antes de mirar rendimento, vale ter a reserva no lugar certo, com quanto guardar e por quê em reserva de emergência: quanto e onde investir, e a escolha do produto específico em onde deixar a reserva de emergência.

A poupança, o Tesouro Selic, os CDBs e as letras isentas são exemplos de classe de produto, não recomendação de aplicação ou de emissor. Qual deles, em qual proporção e em qual instituição faz sentido para você depende do seu perfil de risco, do seu horizonte e dos seus objetivos, com análise de suitability (análise de adequação do investimento ao perfil de risco do cliente) conforme a Resolução CVM Nº 30/2021. O modelo da Dinai é fee-based (você paga honorário ao consultor, não comissão escondida em produto): não ganhamos comissão por produto, então não há incentivo para empurrar a aplicação que paga mais para quem vende. Se quiser revisar onde seu dinheiro está hoje, fale com a Dinai. Análise para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento.

Próximo Passo

Se você ainda tem dinheiro na poupança por hábito, o primeiro movimento é simples: comparar o líquido dela com o líquido de um pós-fixado de mesma segurança e liquidez, usando a premissa de Selic do dia. Quase sempre, com a taxa alta, o pós-fixado ganha, e a migração não exige correr mais risco. Da reserva de emergência em diante, a conta deixa de ser sobre qual produto rende mais e passa a ser sobre como você divide o dinheiro entre objetivos, e é aí que vale ter alguém olhando a carteira inteira com você.


Sobre o autor: Rodrigo Longue é Diretor de Consultoria de Valores Mobiliários da Dinai e responsável técnico (RT) perante a CVM, conforme Ato Declaratório CVM Nº 18.058, de 27/08/2020. É CNPI Fundamentalista pela APIMEC e bacharel em Ciências Econômicas pela UNESP. Como único profissional da Dinai autorizado pela CVM, é o responsável final pela análise das carteiras recomendadas e pelas recomendações personalizadas entregues aos clientes da consultoria. LinkedIn · Instagram.

Disclaimers:

  • Os valores de rendimento citados são ilustrativos e datados (premissa de Selic em 14,50% ao ano, Copom de abril de 2026), com fonte indicada, e servem apenas para dar ordem de grandeza. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
  • Poupança, CDB, Tesouro Selic, LCI, LCA, CRI e CRA são citados como exemplos de classe de produto, não como recomendação de aplicação ou de emissor. A escolha adequada depende do perfil de risco, do horizonte e dos objetivos individuais, com análise de suitability conforme a Resolução CVM Nº 30/2021. Consulte um consultor habilitado pela CVM.
  • Análise para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento personalizada.

Revisão: Este post passou por revisão editorial (blog-reviewer-dinai) e revisão de compliance regulatório (compliance-reviewer) conforme Resolução CVM Nº 19/2021.

Última atualização: 2026-06-14

Perguntas Frequentes

Poupança ou CDB, qual rende mais?

Com a Selic alta, o CDB rende mais, mesmo pagando imposto. A poupança fica travada em 0,5% ao mês mais a TR sempre que a Selic passa de 8,5% ao ano, conforme a Lei 12.703/2012, enquanto o CDB acompanha o CDI, que segue a Selic. Em R$ 1.000 por 12 meses com a Selic a 14,50%, a poupança rende cerca de R$ 81 e um CDB a 100% do CDI rende cerca de R$ 118,80 já líquido de Imposto de Renda, segundo a B3. São valores ilustrativos e datados.

Quanto rende a poupança hoje?

A poupança paga 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial enquanto a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que dá perto de 6,2% a 6,5% no ano em 2026, e é isenta de Imposto de Renda. Se a Selic cair para 8,5% ou menos, a regra muda e a poupança passa a render 70% da Selic mais a TR, conforme o Banco Central. O rendimento é creditado uma vez por mês, na data de aniversário do depósito; quem saca antes perde o rendimento daquele mês.

Por que a poupança rende menos que o Tesouro Selic?

Porque a poupança tem um teto de 0,5% ao mês quando a Selic passa de 8,5% ao ano, enquanto o Tesouro Selic é pós-fixado e acompanha a taxa básica inteira. Com a Selic a 14,50%, a poupança rende perto de 6,2% no ano e o Tesouro Selic rende algo na casa de 14% bruto, sobrando perto de R$ 119 líquidos em R$ 1.000 por 12 meses contra R$ 81 da poupança. Mesmo com o imposto e a taxa de custódia do Tesouro, o líquido dele supera a poupança em cenário de juro alto.

A poupança perde dinheiro?

Não, ela não devolve menos do que você colocou. Em 2025, a poupança rendeu 8,19% contra inflação de 4,26%, um ganho real de 3,77%, o maior em 19 anos, segundo a B3. O que ela perde é em comparação: no mesmo ano, o CDI rendeu 9,65% de ganho real, perto do dobro. O custo da poupança é de oportunidade, não nominal. Você não perde dinheiro, mas deixa de ganhar o que um pós-fixado de risco parecido teria entregue.

A isenção de imposto da poupança compensa render menos?

Em cenário de Selic alta, não. A isenção parece vantagem, mas o CDB e o Tesouro Selic partem de um rendimento bruto mais que o dobro do da poupança, e mesmo perdendo de 15% a 22,5% para o Imposto de Renda na tabela regressiva, o líquido deles ainda supera a caderneta. A comparação certa é sempre líquida contra líquida: R$ 81 da poupança contra R$ 118,80 do CDB em R$ 1.000 por 12 meses. A renda fixa isenta, como LCI e LCA, rende ainda mais, por juntar rendimento de pós-fixado à isenção.

Vale a pena tirar o dinheiro da poupança e investir no CDB ou no Tesouro?

Depende do que o dinheiro precisa fazer, mas em cenário de juro alto um pós-fixado simples costuma render mais sem aumentar o risco. Um CDB de liquidez diária de banco sólido ou o Tesouro Selic têm liquidez parecida com a da poupança e contam com garantia (FGC ou risco soberano), entregando mais no líquido. A escolha do produto e da proporção depende do seu perfil e dos seus objetivos, com análise de suitability conforme a Resolução CVM Nº 30/2021. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação.